Episódios XIX

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A BATALHA FINAL


lguns soldados de Henry aproximam-se do campo de flores. As moças, nuas, observam a aproximação dos soldados e agacham-se, deixando somente a cabeça pra fora da grama alta. Elas percebem que os homens do norte não são tão belos quanto os do sul. O chefe do exército é gordo, não possui todos os dentes, e os poucos dentes que restaram são amarelados. Que falta faz à sua aparência não ter ascendência ozin.

- O que moças tão belas fazem nuas colhendo flores num jardim? – Pergunta o horrendo e barrigudo soldado, esperando que elas respondam que aquilo é uma espécie de ritual.

- Emboscada. – Responde sorridentemente uma moça loira de aparência e dentes perfeitos. Neste instante, uma saraivada de flechas voa pelos céus do jardim de flores, vindo das verdejantes montanhas vanadiz.

As moças cobrem seus corpos nuns com carapaças metálicas róseas.

Henry, avistando a cena de longe, percebe a armadilha. Seus soldados foram pegos pela atração que as mulheres nuas lhes causaram. O rei irritou-se por ter caído um truque tão barato. Em seu pensamento, nunca uma mulher seria tão estúpida a ponto de participar de uma guerra. Muito menos dezenas de mulheres. Menos ainda nuas...

Embora as armaduras dos soldados de Henry sejam fortes e habilidosos, muitos são pegos de surpresa pela chuva de flechas. Em seguida, várias amazonas de armaduras cor-de-rosa invadem o campo de flores com suas espadas poderosas. Abrindo caminho por entre a mata de flores.
As moças que estavam nuas seguem sob a relva alta de flores sob suas carapaças para um lugar seguro, onde também possam vestir-se com suas armaduras.

Henry não imaginava que os ozins possuíam soldados do sexo feminino. E pelo que seus olhos puderam observar, eram bem mais fortes do que imaginava. Principalmente utilizando armaduras tão reforçadas, como Henry nunca vira.

O palco de guerra seria ali mesmo, bem antes do local planejado. Algo em torno de trezentas mulheres bem equipadas e armadas surgiam no então campo de batalha. Henry sabia que tinha massacrá-las o quanto antes, pois os homens deveriam estar por perto.

Ordenou que todos os soldados tomassem o rumo do campo de flores do vale.
Haveria uma carnificina de belas garotas. Conforme os soldados de Henry avançavam, num determinado momento, as mulheres recuaram. Aparentemente, davam sinais de que aceitavam sua inferioridade numérica.

Os soldados de Henry tomavam e ocupavam cada vez mais o espaço do vale. Em pouco tempo, todos estavam sobre o campo de flores situado no vale que ficava entre as Montanhas Vanadiz...

As amazonas aparentemente recuavam para perto da base das montanhas. Mas somente até determinado ponto. O exército de Henry empolgou-se. Ia ser uma vitória fácil.

...

Entretanto, muito antes que os soldados de Henry conseguissem sequer aproximar-se das amazonas, cornetas eram tocadas do alto das montanhas.

...

Um exército de quinhentos homens saía de seu esconderijo nas montanhas, correndo em disparada sobre seus cavalos para o campo de flores. Estavam camuflados na posição onde crescia o Sol. Já alto, o brilho do astro-rei impedia os soldados do exército de Henry de enxergá-los até o momento.

Uma quantidade de flechas muito maior voava pelo céu desta vez. Flechas flamejantes, graças ao poder mágico dos nefazeus. A relva de flores do vale começou a secar. Virava mato seco. Não havia mais uma primavera eterna em Ozen, era final de outono. Todos os matos estariam secos. O verde e as flores eram miragens criadas pelas vanadizes com o restante de seus poderes mágicos.

Era de se prever então que o mato seco entrava em combustão quando em contado com as flechas flamejantes dos nefazeus. O fogo tomava conta do campo de batalha.

Apesar da nítida desvantagem, os soldados de Henry tentavam acalmar o fogo com seus cantis e seus panos. Outros tentavam seguir na direção das montanhas para contra atacar os homens ozins. E outros poucos ainda seguiam com a intenção de atacar as vanadizes.

...

Henry fora pego de surpresa pelo exército ozin. Sua derrota era visível. Não imaginava que Eive possuísse tantos soldados, principalmente após a guerra contra Glaxus. Mas Henry ainda tinha uma carta na manga: ordenou que catapultas entrassem em ação.

Os soldados as carregaram de pedras e sem pestanejar, arremessaram-nas sobre o exército que descia a montanha. Aquelas eram as mesmas catapultas que arrasaram o despreparado castelo Gni quando Glaxus o invadiu.

Mas algo que Henry jamais poderia prever, aconteceu. Cinco forte luzes surgiram dentre a multidão de homens que descia a montanha. E essas luzes arremessavam de volta cada pedra lançada pelas catapultas.

As pedras voavam na direção do exército de Henry, esmagando seus soldados. Em seguida, outras gigantescas pedras foram arremessadas de volta ao seu destino inicial, esmagando as catapultas.

Depois, os cinco pontos brilhantes se aproximaram do exército numeroso de Henry.
Estas luzes se uniram, formando uma grande esfera de fogo, tão brilhante que sua luz competia com a do Sol. Esta imensa luz penetra entre os soldados de Henry, arremessando-os a grandes distâncias.

Henry estava apavorado e irritado ao mesmo tempo. Nunca previra existir alguma força semelhante àquela. Naquele instante, decidiu que precisava buscar abrigo em seu castelo. De lá poderia contra-atacar com outras catapultas. Henry convocava os soldados mais próximos para bater em retirada.

Eles conseguiram cavalgar em disparada na direção do castelo. A bola de luz atravessava o restante do exército inimigo que estava no campo de batalha. Abria como um trator o caminho por onde passava.

“Esta maldita força não pode ser indestrutível”. Pensa Henry. “Deve haver um modo de combater essa magia demoníaca. Preciso buscar reforços.”

Pouco tempo depois, Henry chega ao seu castelo.

Pede para que soldados de confiança guardem a porta principal, defendendo o castelo com a vida. Em seguida, chama seu filho, o príncipe Henck e o encarrega de defender o castelo em sua ausência. Henry diz a seu filho que precisa buscar reforços.

Enquanto o príncipe Henck prepara-se para defender o castelo, o rei Henry usa o momento de pânico que toma conta do castelo para descer sorrateiro às margens oceânicas da ilha.

Minutos depois, o rei chega com o restante de sua família e alguns soldados a um pequeno porto anexo ao castelo, construído para pesca, e de lá, entra numa pequena embarcação.

Este pequeno barco tem como destino a Europa. Dentro da embarcação encontram-se o rei, sua esposa Helga, sua sobrinha Alohra, filha de Glaxus, seu filho mais novo de cinco anos, Edward, e uma pequena tripulação. Henry sabe que deixou seu filho mais velho Henck aguardando a morte.
E não sente pena.

Henry conscientemente usou seu filho para acobertar sua fuga como um castigo ao príncipe. No passado, quando o pai de Eive, Eibe, sugeriu o casamento entre os príncipes, Henck não se opôs à idéia. O príncipe chegou a aceitar a proposta, queria aproximar as culturas dos habitantes da ilha. Henry só não matara o filho de imediato quando este consentiu com a idéia, pois ele era seu único herdeiro à época. E mais tarde, estava nos planos de Henry casar seu filho com a sobrinha Alohra.

Agora que fora derrotado na guerra, e Edward, seu segundo filho, tinha cinco anos, abandonou o primogênito para que o mesmo recebesse a morte que merecia. Ele e toda a população de seu reino que ele começava a considerar incompetentes, já que foram incapazes de derrotar os ozins.

Henry tinha planos de voltar algum dia. E neste dia, aniquilaria a todos, criaria um novo povo, uma nova dinastia.

...

O príncipe Henck nunca concordara com as idéias do pai. Mas sendo seu pai cercado de sacerdotes, padres e gente de influência, era melhor não contrariar e sim, obedecer. Instantes depois da partida do pai, Henck subia à mais alta torre do castelo e observava a chegada do exército ozin à sua porta.
Ao seu lado, observava os sacerdotes e padres rezando para que Deus fizesse um milagre para acabar com a vida de todos os pervertidos ozins.

...

O príncipe Eive e seus soldados chegam à frente do castelo. Parados a certa distância, bolam uma maneira de invadi-lo. Não permitiriam que Henry se recuperasse para formar mais um exército e repetir a investida contra o reino ozin.

Todos os soldados ozins ficam parados, esperando um sinal de Eive. Este andava para lá e para cá. Avaliando qual seria a melhor forma de invadir a gigante fortaleza de pedras.

O viking Ekin levanta sua clava mágica e começa a girá-la, indicando como deveriam realmente agir... Eive olha para o alto do castelo. Aproxima-se de Ekin e pede para que o viking se contenha, e observe a cena. Do topo da mais alta torre do castelo, todos podem ver uma bandeira branca gigante sendo estendida.

Em seguida, uma ponte móvel que dá acesso ao interior do castelo começa a descer lentamente. Os soldados ozins, aparentemente, estavam sendo recepcionados. Desconfiados de uma armadilha, todos os soldados ozins levantaram suas armas e espadas. O príncipe Eive permaneceu parado, observando.

...

De dentro do castelo surgia um belo rapaz de 22 anos, cabelos louros curtíssimos e olhos azuis, de corpo viril, forte e bonito, vestindo um manto e uma coroa. Eive sabia que o homem era Henck, o filho de Henry. Nunca o vira pessoalmente, mas sabia como ele era por causa das antigas conversas aparentemente amistosas entre os dois antigos reis.

Henck aproxima-se cada vez mais do príncipe ozin, seguido pelos soldados de Henry que sobreviveram à batalha. Ozins mantém suas armas apontadas em tom de ameaça.

Henck pára a aproximadamente dois metros de distância de Eive. E agacha. Até ficar de joelhos.
E ajoelhado, declara:
- Príncipe Eive! Meu pai, rei Henry, não se encontra mais em Avalon! Como regente deste humilde castelo, peço para que Vossa Alteza tenha piedade para com meu povo. Nós nos rendemos.

Os ozins, em gritos, comemoram. Eive suspira fundo. Em seguida, pergunta, de forma autoritária:
- E para onde seguiu seu pai?
- Rumo à Europa. Acredito que para pedir reforços. – Henck fala com sua voz forte e masculina, mas ainda ajoelhado e de cabeça baixa. – Mas revelo aqui que, como herdeiro do trono, é meu desejo criar aliança com vosso reino, unificando-o para defender nossa ilha das ambições européias e de meu pai. Meu reino é vosso reino.

Eive olha imediatamente para Ekin, seu viking favorito, com tristeza. O príncipe sabe, para reunir os dois reinos, Henck está nitidamente se oferecendo em casamento. Eive pode casar-se com quem bem entender. Mas tem que escolher entre seu coração, e a paz em seu reino. Ekin sabe disto, olha para Ian, que permanece sem reação alguma. Indiferente. Como se pertencesse a outro mundo. Em seguida, o viking loiro acena que sim para Eive com a cabeça. Eive deve aceitar a proposta de Henck.



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