Episódio IX

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O FIM DA FLORESTA MORTA



Após gozar, satisfeito como nunca sentira naquela ilha, Ekin deita-se sobre o corpo de Eive e começa a acariciar seu cabelo. Uma tentativa de amenizar a brutalidade com a qual meteu em Eive, esfolando seu rabo. Eive empurra Ekin de cima de si, levanta-se e começa a se vestir.

- Vamos Ekin, pode ser tarde demais, precisamos nos encontrar com os outros guerreiros.
- Por quê? O que está acontecendo?
- No caminho eu te explico.

Assim, Ekin também se vestiu, e ambos seguiram em direção ao galpão do exército. No caminho, Eive explicou ao bárbaro que a tempestade que antes protegia a ilha de invasores, varreria o clima ameno de Ozen, transformando-a numa ilha inóspita como qualquer outra ao norte da Europa.

Ekin lembrou-se da tempestade que destruíra seu barco e provavelmente matara Ian, Bern e toda a tripulação do barco viking. Se era aquela a tempestade de forças sobrenaturais que protegia a ilha, assim que ela avançasse em terra, pouco restaria daquele vilarejo frágil onde se escondiam.

Ekin viu a tempestade, e por isso orientou ao príncipe que todos da cidade fossem retirados de suas casas e procurassem uma caverna, pois a força da chuva seria destruidora. Assim foi feito.

Por sorte, como todos estavam preparados para a batalha, todos os armamentos já estavam reservados. Os demais habitantes: mulheres, crianças e idosos carregaram consigo somente o necessário, e trancaram seus casebres, tudo numa correria nunca vista por aquele povo.

...









E no local onde a tempestade já chegara, Eliant obrigava seu cavalo a galopar numa velocidade a qual o animal não estava acostumado. Mas em pouco tempo, as nuvens negras da tempestade cobriram a lua cheia. E a visão de Eliant nada mais podia enxergar. Assustada, desceu do cavalo, tateou, procurando uma árvore, e assim que encontrou uma, amarrou seu cavalo. Ouviu um barulho que não conhecera em toda a sua existência: Um trovão. Seu coração batia num ritmo jamais sentido. Agarrou-se ao cavalo. Desesperada, chorando, Eliant ouviu o vento forte sacolejar as árvores num barulho ensurdecedor e ouviu o inédito som das primeiras gotas de chuva de uma tempestade nunca vista.

A chuva começou a cair violentamente ali o leste da ilha de Ozen. Eliant ouvia árvores sendo arrancadas, pela raiz, com a força dos ventos, que as dilacerava e derrubava-as como a dominós. Nada via. Sentou-se e pediu perdão aos Elfos. Arrependeu-se de tentar voltar-se contra eles.

...

Afles, antes de juntar-se aos demais guerreiros e quase toda a população do vilarejo, procurou por sua esposa e seu cavalo. Entrou em desespero quando não os encontrou. Procurou por Daxat, o mago que lhe disse:

- Eliant procurou por seu próprio destino. Só lhe acontecerá o que lhe for reservado.

Inconsolável, Afles sentou e chorou.

...

Eive e Ekin conseguiram encontrar uma pedra para tapar a pequena entrada da gigantesca caverna onde couberam aproximadamente quinhentas pessoas. Daxat orientou a todos que tentassem relaxar, e se movessem e respirassem o mínimo possível para não gastar o ar que lá dentro havia. Lá fora, a tempestade e seus furacões a tudo destruíam, sem piedade. Algumas horas depois, não se ouve mais barulho.

Eive e Ekin são os primeiros a sair. É dia. Mas, pela primeira vez, os habitantes de Ozen não vêem o céu azul. Uma densa neblina branca cobre tudo.

A Floresta Morta está mais morta do que nunca. Algumas árvores estão em pé, mas a maioria foi arrancada ou derrubada. Dos casebres do vilarejo, restaram um ou dois em pé. A maioria teve suas paredes derrubadas pela força da chuva. Fazia frio. Os habitantes não conheciam aquele frio.

Ekin orientou que se fizessem roupas com lã e couro de animais que morreram durante a tempestade. De frio ele entendia. Ele era escandinavo. Numa velocidade inimaginável, roupas foram tecidas até o raiar do segundo dia.

Neste meio tempo, Drattila tentava embebedar Norax. Mas os quatro guerreiros estavam sempre próximos, e ninguém se aproximava deles. Até porque, precisavam consolar Afles. Sua esposa provavelmente fora morta pela tempestade.

Com roupas prontas, espadas e lanças afiadas, cavalos a postos, comida separada e mais nada a perder, o exército de Eive hasteia a bandeira do Reino Antigo de Ozen, e segue em direção do castelo de Glaxus.

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