Episódio II

Published by Vilser Vaittim under on 13:49

O LEITE ENCANTADO


jovem bárbaro Ekin sabia muito pouco inglês. Se estivesse na Inglaterra, e os habitantes daquele castelo descobrissem que ele era um Viking, era certo que o matariam. Entretanto, nosso amigo estava cansado e faminto. Sabendo do risco, Ekin teve uma idéia. Fingiria ser um mendigo andarilho, para pedir um alimento como esmola e, para que não descobrissem que não falava a língua local, fingiria ser deficiente mental. Com sorte, talvez pudesse enganar alguém de bom coração e muito burro.

Mas Ekin não conseguiu chegar ao castelo... Ao atravessar a densa mata, ele cai numa armadilha, um buraco que estava coberto de folhas, irreconhecível devido ao seu cansaço. Ele tenta imaginar um modo de sair, mas seu corpo não tem forças após tanto tempo sem comer. Extremamente cansado, ele desiste de lutar contra o inevitável, senta-se no chão e sem perceber, adormece. Resolve esperar sua morte chegar...

Passa-se muito tempo, e o sono de Ekin vai transformando-se numa espécie de transe, tão pesado era. O Viking acorda com um jarro sendo encostado em sua boca, e ouvindo uma voz grossa, suave e masculina lhe dizendo:
- Beba rapaz, isso lhe dará forças!

Ekin está muito fraco, muito de seu vigor acabara com o fato de estar sem comer a dias... Mas um instinto de sobrevivência o faz sorver o líquido do jarro. O líquido é grosso, desce relutante pela garganta, mas conforme atinge o estômago, parece trazer de volta sua força. Seu estômago alivia-se. Lentamente, conforme a força retorna, o viking bebe cada vez mais rápido o conteúdo do jarro de barro, com cada vez mais vontade. Como por mágica, Ekin recobra todos os sentidos.
Já não parecia que sofrera a tempestade que destruíra seu barco, nem que passara fome por tanto tempo.

...

Agora lúcido, o viking olha ao seu redor, percebe que está fora do buraco que o aprisionava.
Sua nítida visão lhe permite enxergar a boa alma que o salvara. Um rapaz muito forte e bonito, rosto com traços de italiano, uma pele muito mais bronzeada de que comumente encontrava-se na Escandinávia ou na Inglaterra.
Este rapaz possuía cabelos negros levemente encaracolados, bem finos, e olhos bem escuros, mal dava para ver onde terminava a íris e começava a pupila. Possuía um sorriso cativante e belos dentes.
Ekin estranhou o tom de pele do nativo, estava acostumado com o tom de pele extremamente branco e pálido dos nórdicos. Concluiu então, que via um Inglês pela primeira vez. Seus pensamentos foram interrompidos quando o belo estranho o perguntou:
- Sente-se melhor?

Ekin arregalou seus olhos azuis e assustou-se, pois entendia perfeitamente as palavras do estranho. Afastou-se um pouco e perguntou:

- Você fala a minha língua?

- Sim, porque, não deveria?
- É que eu, eu...

Ekin não sabia o que falar, ou como reagir, não sabia como um inglês poderia falar tão bem a língua de Frystborg, uma espécie de sueco antigo, sem que preferisse matá-lo.

- Bem, isso não vem ao caso agora, você está bem, rapaz? – Perguntava o nativo, com um sorriso que transmitia muito conforto e segurança.
- Estou...

O nativo pegou o jarro de barro das mãos de Ekin, levantou-se e dirigiu-se a uma lagoa que estava próxima a eles, para lavar o pote. Ekin levantou-se, maravilhado em ver como sua força física voltara instantaneamente. Olhou ao seu redor. Além de sair do buraco que o aprisionava, estava bem longe da praia e do castelo. O nativo o afastara de seu caminho, carregando o bárbaro quando este estava inconsciente.

Ekin até pensou em agredir o nativo, tomando-o como um inglês vingativo.
Mas não conseguiu. O nativo salvara sua vida. E também falava muito bem a mesma língua que os nórdicos. Poderia ser uma espécie de aliado. Ekin resolveu amigar-se:
- Desculpe-me perguntar amigo, mas você poderia dizer onde estou?

O rapaz, agachado próximo à lagoa, lavando seu jarro, sem olhar para trás, disse:
- Na Floresta Morta de Ozen.

- Ozen? Nunca ouvi falar deste lugar... – Ekin procura o mar com os olhos, pensativo.

O nativo olha para trás, fazendo cara de espanto. Estranha o rapaz loiro nunca ter ouvido falar de Ozen. Mas não comentou nada, voltou seu rosto para o rio e dá uma última polida no jarro.
Ekin continua a falar:
– Desculpe-me a pergunta, mas, onde aprendeu minha língua? Sabes para que lado fica Frystborg?

O rapaz levanta-se lentamente, vira-se e anda na direção de Ekin. Sua expressão facial dizia: “Do que este cara está falando?” O nativo tinha o peito muito forte e definido, com poucos pêlos. Usava uma espécie de colete aberto que cobria apenas as costas e deixava seu peito exposto, colete este, feito de um couro bem fino. Usava umas calças de um linho grosso e andava com um sapato feito de couro marrom. Aproxima-se de Ekin e com seu belo sorriso cativante diz:

- Olha garoto, infelizmente, eu nunca ouvi falar deste lugar aqui em Ozen. Mas podemos nos informar e quem sabe um dia você encontre o caminho.
- Obrigado. – disse Ekin. – Qual a sua graça?
- Eive. – Diz o belo rapaz, estendendo a sua mão ao nosso amigo guerreiro.
Eles apertam as suas mãos, com muito vigor, como se estivessem medindo quem era o mais forte. Riam. Era o sinal de que ali poderia surgir uma amizade muito forte.

...

Mas o momento de extrema serenidade foi interrompido quando ouviram trotar de cavalos. E pelo barulho, eles eram muitos. Eive, correu, indo no sentido da floresta onde a mata era mais fechada, e gritou ao bárbaro:

- Corre rapaz. Estes soldados não podem nos encontrar, ou estaremos perdidos.

Ekin segue o rapaz que o salvou, sem questionar. Correm pela mata, e Eive o puxa pelas mãos, explicando onde estão os obstáculos e as armadilhas, para que Ekin não seja mais pego desprevenido por elas... Eive orienta o bárbaro sobre onde passar, de modo a não deixar rastro.

Correram até o sopé de um penhasco rochoso que deixava o caminho deles sem saída. Para Ekin, já não havia para onde correr, afinal aquilo era uma parede de pedra impossível de se escalar com pelo menos uns cinco metros de altura. Seriam pegos.

Mas Eive guardava um segredo. Ele retira uma grande rocha da parede, camuflada pelo tipo e formato da rocha. A força de Eive é impressionante, como se retira uma folha de papel, ele remove a pedra, revelando a entrada de uma caverna. Ambos entram para se esconder.

Enquanto coloca a pedra no lugar, Eive pede para que Ekin faça silêncio absoluto.
Assim que Eive retorna a pedra ao seu lugar, a escuridão na caverna é total. Sem enxergar o próprio nariz, Ekin ouve a aproximação de cavalos. E escuta uma conversa, que vem do lado de fora, e curiosamente, eles também parecem falar em sueco antigo, plenamente compreensível aos ouvidos de Ekin:

- Encontraram alguém?
- Não, capitão. Seguimos as pegadas na areia, encontramos alguns rastros na floresta, mas não vimos sinal algum de onde possam ter ido.
- Continuem procurando. Precisamos capturá-lo ainda hoje. Vivo ou morto.

Passados mais alguns bons minutos, o silêncio era total.

De repente, Ekin vê uma brecha de luz vindo do teto da caverna. Eive retirava uma pedra que dava acesso a uma saída alternativa do lugar, pela parte superior. Ekin percebera que Eive era muito astucioso. Ao sair do buraco, Ekin pergunta a Eive:
- Estranho, se não fosse pelo sotaque, eu poderia jurar que estamos muitos próximos de Frystborg... Todos falam a minha língua... Por sorte, sei que também não estou na Inglaterra.
Eive riu, mas não tentou explicar se estavam mais próximos da Escandinávia, ou da Inglaterra, ou de nenhum destes dois lugares.

...

Acima da caverna há uma espécie de mezanino, um pedaço plano que existe entre o topo e o pé do penhasco. Ekin olha para frente, dá para se avistar ao longe, mas só o que vê é floresta, muita floresta e muito fechada e bem mais adiante, a praia e o mar. Olhando para trás, só o que vê é mais e mais paredes de pedra. Do local onde estava, nem conseguia mais observar o castelo, pois a visão era obstruída pela montanha. Sua tentativa de localização e reconhecimento do local é interrompida pelo ronco de seu estômago.

- Pelo visto ainda está com fome, jovem. – diz Eive.

- É. Acho que aquele mingau forte que você me deu há algumas horas, não foi o suficiente para aplacar a minha fome...
- Eu vou buscar mais. – disse Eive, entrando novamente na caverna.

Ekin olha ao seu redor, e percebe que não há espécie alguma de fruto nas árvores. Mais curioso ainda, não há barulho de pássaros, nem se percebe a presença de insetos. O silêncio descomunal era cortado tão somente pelo vento que sacolejava as árvores. Silêncio este, cortado também por um gemido que vinha de dentro da caverna... Um gemido forte de uma voz grave, suave e bem masculina, que parecia estar se machucando ou sentindo um prazer intenso lá dentro da caverna.
De repente, o gemido se cala. Eive sai da caverna, com a taça de barro em suas mãos, repleta de um líquido branco, de consistência pouco mais densa que a do leite. O líquido estava quente, como se estivesse fervido há muito pouco tempo e agora estava amornando. Ekin achou estranho aquele leite surgir tão aquecido em tão pouco tempo, num lugar tão inóspito. Onde estariam escondidos a vaca e o fogo? Eive ficou muito pouco tempo na caverna para dar tempo de ferver o leite em alguma fogueira... Aliás, desde quando poderia se guardar leite em uma caverna totalmente escura? E o barulho de gemido de um homem? O que seria?
...

Ekin ficou olhando o leite, com cara de receio... Mas a fome apertava, e o cheiro era muito sedutor.

- Se você não tomar logo, vai ficar intragável... – Diz Eive.
Aquilo salvara a vida de Ekin naquele mesmo dia, não poderia fazer mal. “Ele não me salvaria e me mataria com o mesmo líquido...” – pensou Ekin. E colocou a taça na boca, tomando seu conteúdo. O caldo não tinha gosto de leite, parecia mais um iogurte adoçado com mel. Quanto mais se tomava, mais vontade dava de tomar.

Como o líquido era um pouco grosso não dava para beber num único gole, e como Ekin demorou a criar coragem de beber, logo esfriou. E assim, o restante que sobrou no fundo da taça tornou-se algo semelhante à gelatina.
- O que é isso? - Perguntou Ekin, espantado com a consistência da sobra do líquido.

O nativo desviou-se da pergunta, perguntando:
- Matou sua fome ou não?
- Engraçado, é verdade, não sinto mais fome... Mas sinto sede...
- Tudo bem. Acho que agora a barra está limpa, vamos até o lago.

Após alguns minutos andando cuidadosamente para não encontrarem novamente com os cavaleiros, eles chegam novamente ao lago.
Ekin pergunta a Eive:
- Quem são os soldados que nos perseguiram?
- Servos do Rei Glaxus. Perseguem pessoas que são ou podem ser uma ameaça ao seu novo reino.
- Novo reino?
- Sim, ele matou o Rei de Ozen, usurpando sua coroa. Agora, para que os descendentes do antigo rei e seus aliados não reclamem o reino de volta, seus exércitos rondam as fronteiras do reino, vigiando-o.
- Então você é aliado dos descendentes do antigo Rei...
- Amanhã eu te explico melhor. Vamos dormir que a noite está chegando.

Voltaram para a caverna, e dentro dela, Eive acendeu uma lareira. A luz mostrava que a caverna era muito maior do que parecia. Ekin tinha muitas dúvidas. Queria saber mais sobre o estranho nativo, saber onde era esse tal reino de Ozen e sobre como voltar para casa... Eive também achava estranho aquele rapaz não saber nada sobre Ozen. Não imaginou que fosse um estrangeiro por causa da língua que ele falava. Concluiu que fosse alguém dali mesmo de Ozen, com uma baita amnésia...

Ekin, no entanto, apesar das preocupações, estava grato por estar vivo, portanto resolveu não fazer mais perguntas naquela noite. Pela primeira vez, teve tempo de sentir saudades da sua família, de seus amigos, e de seu mestre Ian. Tentava entender o prazer inexplicável que sentia em estar ao lado dele. Com lágrimas nos olhos, adormeceu.

...

No meio da noite, Ekin acordou, ouvindo Eive gemer. A fogueira não se apagara, e mantinha muita luz no local... Eive revirava-se sobre uma cama improvisada no chão, feita de palha e de outras peças de roupas. Aparentemente estava sentindo muito calor, já que estava dormindo sem camisa... Realmente naquela região, na tal de Ozen, fazia muito mais calor do que em qualquer lugar da Europa. O corpo de Eive suava em bicas. Sua calça, a única peça de roupa que ele usava, estava molhada e colada ao seu corpo torneado de músculos. Ekin pensou que Eive estava passando mal, e aproximou-se dele. O nativo estava de barriga para cima, e Ekin pôde perceber um movimento anormal dentro das calças de Eive. Parecia haver uma cobra viva dentro de suas calças. Suas calças pulsavam, o pênis de Eive parecia respirar, latejando em espasmos, como um ser com vida própria. Ekin puxou as calças do nativo pelos pés, era melhor não chegar muito perto...

Ekin vê um grande pênis rosado e bem desenhado. O pênis pulsava, e semi-ereto, contorcia-se de um lado pra outro. E o mais curioso, exalava um cheiro muito forte e diferente, não era um cheiro levemente amargo de um pinto normal, era um cheiro doce... Suave como mel, mas muito forte, como o de um bolo que está sendo assado.

Eive acordou. Assustou-se com a presença de Ekin, que estava sentado ao seu lado, observando o imenso falo que não diminuía de tamanho... E que continuava a latejar como se respirasse.

- Desculpe Eive, pensei que você estivesse passando mal, e tirei sua roupa imaginando que talvez você estivesse com febre.

- Está tudo bem, é que eu tive um daqueles sonhos, que todos os homens têm... Você sabe...
Eive nem se preocupou em esconder seu pênis.

Ekin riu de si mesmo. Assustou-se à toa.

- Eu vou voltar a dormir, ainda bem que você só sonhou com uma garota... – disse Ekin, levantando-se, mas sem conseguir evitar olhar para aquele falo tão perfeito, grande e cheiroso.
- Obrigado por se preocupar.

Naquele instante, um pequeno fio de um líquido esbranquiçado projeta-se do pênis de Eive. O cheiro é forte, e atraente. Ao sentir aquele cheiro familiar, a barriga de Ekin ronca novamente.

Ekin olha para Eive com uma cara de espanto. Eive segura firme seu pênis.
- Você quer saber de onde vem o leite que salvou sua vida?

Ekin não conseguiu evitar a atração que aquele cheiro lhe exercia... O cheiro do gosto daquele leite hipnotizava, era fascinante, parecia matar qualquer fome.

Ekin agachou-se e nem tentou entender o que sentia. Tentou colocar o mastro de Eive inteirinho em sua boca, mas mal conseguia colocar a cabeça. Sugou o danado com toda a paixão do mundo, estava louco para tomar novamente aquele leite mágico que salvara a sua vida. Eive gritava como se estivesse sendo torturado. Berrava. Há tempo não sentia uma boca doce e macia em sua vara pulsante. As pernas de Eive tremiam, seu corpo arrepiava-se como se estivesse sentindo todas as emoções existentes no mundo ao mesmo tempo... De repente, gritou como se estivesse prestes a morrer. Seu pinto tornou-se uma fonte, jorrava muito mais leite do que Ekin era capaz de sorver... Ao jorrar, o leite esparramava-se pelo rosto de Ekin, que não dava conta de absorver tamanha quantidade, e caía no chão, encharcava tudo à sua volta. Eive levantou-se, e foi limpar todo o líquido antes que esfriasse.

Depois, deitou-se, e disse a Ekin, bem baixinho:
- Obrigado rapaz, acho que agora eu vou conseguir dormir bem mais sossegado...

O novo dia raiou e as aventuras de Ekin naquela terra estranha ainda estavam apenas começando.



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