Episódio XVI

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O MAGO MERLIN

ive e seus soldados entram nas cavernas. Norax que entendia muito pouco da história dos nefazeus, uma vez que foi criado desde pequeno para ser um soldado e servir cegamente ao rei Eibe, perguntou ao príncipe:

- Alteza, quem são os nefazeus?

Eive conta a história enquanto caminham por entre túneis que mais lembravam labirintos:

“As igrejas que agora dominam a Europa, para impor seu poder, dizem que o culto aos seres mágicos que protegem a Terra é um culto a demônios. Enfraquecidas, todas as fadas e elfos fugiram da ignorância humana e do domínio destas igrejas.

Ainda assim, fadas não podem existir sem que haja humanos que as ajudem a cuidar da natureza, elas precisam que o culto à mãe natureza seja feito. Por isso, fadas trouxeram seres humanos consigo para Ozen, mesmo sabendo do perigo que isso implicava, era um mal necessário.

Mas fadas também têm fraquezas. Muitas delas acabaram se apaixonando por humanos. E tornaram-se aparentemente humanas para conquistar pessoas e casar-se com elas. Destes casamentos nascem nefazeus e vanadizes.

Nefazeus, portanto, são filhos de fadas com humanos.”

- E os tais vanadizes? – Pergunta Norax.

- Vanadizes são como os nefazeus. Mas são mulheres. Homens e mulheres filhos de fadas com humanos não se relacionam com seres de sexo oposto. Não se sabe por que isto ocorre...” – Diz Eive.

- Isto significa que eles não se reproduzem? – Pergunta Norax.

- Mais ou menos. O que se sabe é que também não vivem juntos. Os Nefazeus habitam parte desta caverna e as Vanadizes vivem isoladas na sua própria parte desta caverna.
Se dermos sorte, encontraremos Nefazeus, senão...”

- E por que eles se escondem tanto?

- Por serem seres diferenciados, e por não conseguem se relacionar com pessoas de sexo oposto, assim que chegaram a Ozen, nefazeus e vanadizes preferiram manter-se isolados do resto do mundo, vivenciando seus próprios desejos como bem entendem e em total silêncio. Além disto, eles têm uma tarefa a cumprir.

- E qual é esta tarefa?

- Isolados e aglomerados aqui em Ozen os poderes mágicos das fadas e dos elfos aumentaram consideravelmente. Por causa do poder imenso contido nesta ilha, outros seres migraram para esta ilha atrás de mais poderes mágicos. Seres bons como fadas e elfos, e seres maus como trolls e orcs. As fadas e os elfos incubiram os nefazeus e vanadizes de proteger a Terra de trolls, orcs e outros monstros que habitavam livremente o mundo. Todos foram trancafiados aqui, para viver nesta caverna, que tem um tamanho imensurável.

- E todos os monstros estão soltos dentro desta caverna?

- Sim. Só será seguro quando chegarmos a caverna dos nefazeus.

- E se chegarmos a Vanadiz? – pergunta um soldado cheio de segundas intenções.

- Estaremos perdidos. Vanadizes não gostam de homens, sentem-se traídas por pessoas do sexo masculino. Provavelmente nos expulsarão e teremos que começar novamente nossa busca nestas cavernas perigosas mais uma vez.

Afles intervêm na conversa:

- Mas por que nefazeus seqüestrariam Ekin?

- Não sei dizer. É possível que eles o querem para gerar mais um filho nefazeu, já que eles não se reproduzem com mulheres.

- E como eles se reproduzem?

Antes que Eive respondesse essa pergunta, um monstro enorme aparece diante dos olhos de todo seu exército. Uma espécie de dragão, mas com aspecto bem semelhante ao de um morcego. Todos se armam de suas espadas e flechas, e preparam-se para defender-se do monstro, que parece faminto. A gigantesca besta bate as asas e avança em direção do príncipe Eive. O príncipe ergue sua clava mágica e brilhante para defender-se, mas a fera consegue arremessá-lo para o outro lado do túnel.

Eive cai desacordado próximo a um outro pequeno túnel, e o monstro voa em sua direção para dar o bote. Afles sente o coração apertar, e com uma fúria nunca sentida antes, avança em direção do monstro. Norax ataca simultaneamente. Ambos atingem o monstro ao mesmo tempo. A fera esquece-se de Eive e volta-se para Afles que lhe feriu mais profundamente.

Os demais soldados alvejam flechas contra o monstro. Vendo que o mesmo parece abatido, um segundo grupo aproxima-se com espadas. Drattila aproxima-se e fere uma asa da fera.

O monstro parece reviver. Dá uma sacolejada imensa. De um lado, arremessa Drattila contra o teto, violentamente. E em seguida, o mesmo cai ao chão. Do outro lado, arremessa Afles, que tentava um segundo golpe, na direção de um precipício que havia dentro da caverna.

Afles despenca e sua queda o leva direto a um caudaloso rio que passa por dentro da caverna. E a correnteza deste rio é furiosa. Arrasta-o violentamente para longe dos olhos dos outros soldados que ainda não conseguiram eliminar o monstro. Mas uma segunda alvejada de flechas surte algum efeito, o monstro demonstra estar muito ferido.

Eive recobra os sentidos. Ele e Norax erguem suas clavas mágicas e avançam contra o monstro, acertando-o um golpe que reluz, tornando a caverna demasiadamente iluminada. A fera recebe seu golpe de misericórdia...

Assim que o monstro cai em definitivo, Eive procura ansiosamente por Afles, pressentindo o pior.
Norax lhe informa que Afles fora levado pela correnteza do rio que se encontrava abaixo do precipício.

Eive procura em vão sinal do corpo de Afles, sentindo um pesar imenso em seu coração. Imagina uma forma de buscar Afles antes de seguir atrás de Ekin. Mas, observando o rio, percebe que o mesmo passa a seguir seu curso por dentro de um túnel, tornando a tarefa impossível.

Com uma voz triste, mas carregada de firmeza e coragem, o príncipe diz:
- Rezemos para que de alguma forma os elfos nos ajudem a encontrar Afles e Ekin. Precisamos salvar nossos guerreiros. Continuemos, não temos tempo a perder.

Neste momento, um dos soldados aproxima-se de Eive e informa:
- Alteza, espere! O chefe da guarda! Ele não está bem!

- Drattila, o que aconteceu? – O príncipe aproxima-se do homem ferido.

- O monstro me arremessou contra o teto e eu caí sobre o chão. Deve ter rompido algo dentro de mim. Minha morte é inevitável. Sigam sem mim. – Dizia o homem.

- Não. Não podemos perder mais um homem. - Disse o príncipe, inconformado com situação tão desastrosa.

- Alteza, temos equipamento de socorros simples. – Dizia um soldado com conhecimento em enfermagem. – Mas como ajudaríamos este homem sem equipamentos médicos adequados?

- Não temos outro jeito. Temos que tentar um recurso que eu não gostaria de usar. – Diz o príncipe, bufando muito, dando sinais de que apelaria para um recurso muito arriscado.

O príncipe pede um recipiente para um dos soldados. Eive aproxima-se do monstro, e com sua espada, corta a jugular da fera, derramando sangue dentro do recipiente de madeira.

- Este monstro é um Draggutah, um dragão-morcego. – falava Eive. - Eles habitam e protegem as entranhas de Ozen desde os primeiros dias. Foram criados pelos elfos para espantar trolls e orcs, caso estes tentem subir à superfície, alimentando-se destes seres e bebendo seu sangue.

- E para que humanos não entrem nestas cavernas... – Conclui Norax.

- Exato. – Confirma o príncipe. – Por terem sido criados com a pura magia dos Elfos, eles são eternos. Entretanto, para manter esta eternidade, precisam alimentar-se de sangue e, para que nunca saiam da terra, morrem sob a luz do Sol.

- Se ele é eterno, então ele não está morto? – Diz Norax, preparando sua espada para um novo ataque.

- Ele perdeu muito sangue, Norax. Perdeu todas as suas forças.

O príncipe aproxima-se de Drattila e lhe oferece o pote com sangue do Draggutah.

- Por ser obra das fadas, o sangue de um Draggutah tem o poder de cura. O único problema é se este dragão tiver bebido sangue de trolls ou de orcs.

- O que acontece com Drattila? – Pergunta Norax.

- Eu não sei. – Suspira o príncipe. - Os livros só narram experiências com Draggutahs de sangue puro. Nunca souberam o efeito do sangue de um Draggutah selvagem. Mas não temos outra saída.

Drattila, sem ter outra opção, sentindo o resto de suas forças abandonarem seu corpo, bebe o líquido.

...


Na Caverna Nefaz, os olhos de Ekin enchem-se de lágrimas ao ver seu mestre Ian mais uma vez. O sonho que parecia impossível está se concretizando.

Ekin grita:
- Mestre! Não acredito! Estás vivo! Vivo! Por Odin! Não poderia haver glória maior!

Ian o observa friamente.

- O que diabos está havendo aqui? Por que este homem está amarrado? – pergunta Ian, voltando-se para trás, irritado.

Um belo homem de cabelos lisos e olhos negros entra na gruta, exibindo um físico invejável por debaixo de seu lençol e intervém, colocando a mão sobre os ombros de Ian:
- Calma, Ian! Eu explico porque estes dois rapazes estão aqui e porque o aprisionado está tão eufórico. Solte-o, e sentem-se, por favor.

O clone desamarra Ekin. Ekin quer atacar, mas acima de tudo quer entender o que está acontecendo.

Todos alojam-se melhor no espaçoso quarto. O belo homem de olhos negros diz algo no ouvido do clone de Ekin e este sai da sala.

- Permita-me que me apresente, Ekin. Meu nome é Merlin. Eu sou um mago indicado pelos elfos para comandar o povo nefazeu.

- Certo. – Falava Ekin, sem saber quem eram os nefazeus, e sem conseguir tirar os olhos de Ian de tanta felicidade, mas ao mesmo tempo assustado.

Merlin conta que os nefazeus são filhos de humanos com fadas, e em seguida, conta a história de Ian desde que chegou a Ozen:

“O seu amigo Ian e mais alguns soldados foram resgatados do mar pelos nefazeus. Como bem sabe, não poderíamos correr o risco de manter suas mentes como estavam: vikings são perigosos e traiçoeiros. Embora os nefazeus e os magos tenham um poder mágico muito inferior aos das fadas e dos elfos, podíamos transformar os guerreiros em nefazeus, e mantê-los sob nosso controle. A mente de todos os vikings que quiseram ficar entre os nefazeus foi bem cooperativa, e eles se adaptaram bem a nossa cultura e ao nosso modo de viver. Menos este rapaz aqui, Ian.”

Merlin dá tapinhas nas costas de Ian que, apreensivo, estranha a narrativa.

- A mente de Ian não se adaptou, pois seu coração pertencia a um homem especial. Você. – Disse Merlin.

A fúria de Ekin sumia naquele mesmo instante. Os olhos de Ekin encheram-se de lágrimas. Acabara de descobrir que o que sentia pelo mestre era correspondido. Ian baixava a cabeça, envergonhado.

- Ele é um bom guerreiro, mas em muitos momentos se distraía, sua mente fugia. Num ritual, nós descobrimos que o sentimento que ele nutria por você o impedia de ser um nefazeu completo. Para acalentar o coração de Ian, um soldado ofereceu-se para tornar-se uma cópia sua e assim, enganaríamos o coração de Ian.

Ian mantinha a cabeça baixa. Durão e frio como sempre foi, sentia-se envergonhado por ver seus sentimentos expostos daquela forma.

- Descobrimos, através das árvores, que dava para fazer uma cópia exatamente como você, uma vez que os elfos tiraram de você suas memórias, quando você foi aprisionado por eles na Floresta Morta, e grande parte sua ficou nas árvores que o aprisionou. Entretanto, por este mesmo motivo, os sentimentos do clone tornaram-se parecidos com os seus. E assim, numa jornada insólita, em nossa autorização, sua cópia colocou uma de nossas armaduras de guerra e resolveu salvar o reino de Ozen das mãos de Glaxus, assassinando-o com suas próprias mãos.

- E porque vieram atrás de mim agora? – perguntou Ekin.
- Sabíamos pelas árvores que estava vivo. E para quê ter uma cópia se nós poderíamos ter o guerreiro original? Sempre precisamos de um guerreiro para nos ajudar a defender a Terra dos Orcs e Trolls.
- E por que minha cópia transou comigo?
- Para que aprendesse nossa língua através de seu esperma.
- Espere. – Pensou Ekin. - Se vocês têm armaduras de guerra, podem ajudar o príncipe Eive e os elfos. Podem ajudá-los a derrotar Henry!
- Nós não podemos abandonar nossos postos. - Diz Merlin, seriamente.- Se os nefazeus saírem das cavernas, muito provavelmente orcs e trolls invadiriam a Terra mais uma vez. E, com a fraqueza de elfos e fadas, eles aniquilariam toda a humanidade. Por isso precisamos de bons guerreiros, por isso o trouxemos para Nefaz.

Ekin faz cara de irritado. Tem o dever de ajudar Eive. Deve sua vida a ele.

- Percebi que gosta do guerreiro Ian. – Diz Merlin. – Aproveite, bárbaro. Abandone o mundo exterior e viva conosco. Tornar-se um nefazeu é tornar-se eterno. Pense nisto.

Ekin observa Ian. E mais uma vez, não tem certeza se fez a escolha certa. Alguém que o ama ainda corre perigo.

Ainda tem vontade de agarrar Ian, abraçá-lo e beijá-lo. Mas embora estivesse feliz por vê-lo, lembra-se que não poderia ter abandonado Eive. Henry e seus soldados provavelmente já estavam a caminho, e o Reino de Ozen seria aniquilado.

Ekin levanta-se rapidamente e diz a Ian:
- Vamos! Eive precisa de nós! Agora!
Ian olha para Ekin:
- Não podemos! Nosso lugar agora é aqui!

...

Do outro lado da gigantesca e inóspita caverna cheia de túneis e labirintos, Eive e seus soldados seguem procurando as Cavernas Nefaz. Todos aparentam estar bem.

Mas dentro de Drattila uma sensação horrível começava a acontecer. Sua força aumenta, e sua aversão à luz também aumenta. Seus dentes caninos começam a aumentar de tamanho.



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1 comentários:

Bernardo disse... @ 23 de Julho de 2009 03:30

Uhuuuuuuuu!

Adoreeeeei! Eu sabia que Ian gostava do Ekin! Que show! Muito bom!

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