Episódio XIV

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OS NEFAZEUS



ive sai irritado do quarto de Ekin sem falar palavra alguma, dirigindo-se aos corredores do castelo com seus passos duros e firmes. Logo em seguida, chega à sala real e senta-se em seu trono. Ali permanece sem esboçar muitas emoções, embora sua fisionomia não escondesse a raiva. Sente que deve concentrar-se em governar e defender seu reino. Neste momento tão delicado, seu coração deve ficar em segundo plano. Neste instante de reflexão, Afles entra no salão real.
Afles percebe a dor do príncipe. Sabe que Eive está muito magoado e aborrecido por ter sido abandonado por seu soldado favorito. Sabe que é um sentimento muito forte. Mas Afles aprendeu a admirar muito a coragem e força de seu príncipe. Queria que o mesmo mantivesse a cabeça erguida em qualquer circunstância.

Lentamente, o guerreiro mágico aproxima-se do trono, e cuidadosamente pergunta:
- Algo que eu possa ajudar alteza?
- Não Afles. Nada que pudesse aplacar minha fúria neste momento.

Com olhos levemente mais úmidos, Afles desabafa:

- Vossa Alteza! Precisamos ser fortes! Veja. Meu coração está em frangalhos. Eu perdi minha esposa... Em muitos momentos, encontrei-me desesperado. Mas sua força e sua amizade me ajudaram a manter a sanidade. Sei que sofres. Só queria dizer que quero que saiba que estou ao seu lado... Sempre.

Assim que terminou de falar, Afles ajoelhou-se e beijou a ponta da bota do príncipe.
Em seguida, Afles levanta-se um pouco e deita sua cabeça sobre os joelhos de Eive e abraça firmemente as grossas panturrilhas do príncipe, encostando seu peito sobre as fortes pernas reais.

Eive abaixa sua cabeça, encostando-a na de Afles. Com sua forte mão, o príncipe acaricia o cabelo do soldado e lhe agradece tamanho sentimento, com um beijo na cabeça. Os demais soldados da sala real permanecem em guarda, sequer se entreolham. De certa forma, até se emocionam. Pois sabem que o futuro de todo o reino depende daqueles sentimentos tão estranhos e especiais.

- Meu soldado fiel. - Diz o príncipe. - Eu sei que é pedir demais em horas como essa, mas acho que ambos precisamos de um bocado de carinho neste momento...

Eive afasta um pouco a cabeça de Afles de seu corpo. O príncipe se levanta. Em seguida, abaixa suas calças, expondo suas pernas musculosas e seu pênis tão bem desenhado. Ele quer ameniza a dor de seu coração sentindo e dando prazer ao guerreiro que ainda lhe demonstra fidelidade absoluta.

Mesmo desajeitado por estar na frente de vários guardas que se encontram na sala do trono, Afles abocanha o saboroso e hipnótico pênis do príncipe, e o suga, na esperança de saciar a fome de carinho que ambos sentiam naquele momento.

Muitos dos soldados ali presentes não conseguem disfarçar o tesão que a cena causa. Alguns começam a acariciar o próprio pau em sinal de aprovação. Mas permanecem em seus lugares. Não ousam participar da cena sem serem convidados.

Sendo o pênis de Eive mágico, Afles não consegue se conter. E suga o falo real com uma fome insaciável. Por alguns instantes, realmente esquece de todos os problemas. E quando o saboroso leite jorra daquela divina fonte, Afles não desperdiça uma só gota.

Após se vestirem, Afles, tentando disfarçar, ainda meio sem jeito por causa dos guardas reais, mas sabendo a dor que o príncipe sente, pergunta ao príncipe em tom de quem conversa com seu chefe e senhor:

- Alteza. Quer que eu ordene que soldados procurem pelo forasteiro?
- Não, guerreiro.

Eive respira fundo e fala duramente:
- Ekin fez sua escolha, amigo. – fala o príncipe, com nítida mágoa na voz.
- Não temos tempo para atender a caprichos de um homem e seu amor platônico. Temos um reino a defender. Não demora muito, os soldados de Henry apontam no horizonte para vingar a morte de Glaxus.
- Tem idéia de quem seja o tal Cavaleiro Azul que assassinou o irmão de Henry? – pergunta Afles.
- O que me preocupa, Afles, não é quem seja o Cavaleiro Azul. – Diz o príncipe andando de um lado para outro.- Mas as suas intenções... Glaxus deveria ser morto somente em último caso. Deveria ser um trunfo em nossas mãos. Se o tivéssemos vivo, teríamos tempo para nos preparar, e enquanto isso, negociaríamos a liberdade de nosso reino. Com a sua morte, Henry tem a desculpa que queria para invadir nossa parte da ilha e aniquilar todos os ozins.
- Acredita que possa ter sido o próprio Henry que mandou matar o irmão?
- Amigo, não adianta esperar que os estrangeiros com seus valores que chamam de “cristãos” nos aceitem e nos amem como somos. Para eles somos um bando de pervertidos. Se dependesse da vontade deles, seríamos totalmente aniquilados. Em nome de sua doentia vontade de governar e manipular as pessoas, eles fariam qualquer coisa, inclusive atuar contra suas próprias leis e matar a metade de sua própria população... Se não lutarmos pelo direito de amarmos a quem quisermos em nosso território, não serão eles que o farão.

...

- Mas você sabe que não há somente xenos (estrangeiros) e ozins nesta ilha de Deus... – Interrompe Daxat, o mago, que acaba de entrar na sala.
- Como assim?- Pergunta Eive. - Acredita que nefazeus podem estar envolvidos?
- Tudo é possível. - Diz o mago. - Só isso explicaria as flechas mágicas que apagaram o fogo do castelo...
- As flechas que se transformaram em água e apagaram o fogo do alto do castelo? Achei que eram obra sua, mago! – Diz o príncipe.
- As Ninfas estão sem poderes mágicos. Os Elfos estão sem poderes mágicos. Que poder teria eu? - E neste caso, já que todos estão sem mágica, o que o faz pensar que os Nefazeus ainda tenham mágica?
- Vossa Alteza, lembre-se. As fadas, ninfas ou elfos são seres mágicos puros... Magos e bruxas, são homens e mulheres de carne e osso que aprendem a usar a magia que provém das fadas e cerca a Terra. Mas os nefazeus, como sabe, são filhos de seres humanos com seres mágicos. Sua força humana mantém parte dos poderes mágicos da Terra dentro de si...
- Então, isto quer dizer que o Cavaleiro Azul pode ser somente um nefazeu fingindo ser um viking... – Pergunta Eive.
- Sim, e isto pode significar que Ekin está em grandes apuros. – Diz Daxat.

...

Ekin segue pela densa floresta que fica ao norte do castelo de Eive. Após sete horas de uma longa caminhada, cansado, o viking faz uma fogueira na margem de um rio, para espantar possíveis animais e insetos. Diferente da Floresta Morta, entre aquelas árvores havia muito barulho: Piados de pássaros, rugidos estranhos e muitos insetos. Ekin não avistara nem um sinal ou pegada do Cavaleiro Azul, que parecia ter sumido como mágica. Encostado num tronco caído, Ekin resolve tirar um cochilo, para guardar forças. Após alguns minutos, um vulto aproxima-se lentamente do viking, tentando não fazer barulho na relva.

...

O intruso tenta seguir lentamente por entre a relva. Mas um barulho inesperado de fricção entre peças de metal acorda Ekin de seu cochilo. O viking arma-se de sua espada e vira-se para o vulto que se aproxima. O barulho de fricção era o atrito entre as partes metálicas da tão esperada armadura azulada.

Embora desejasse ansiosamente por aquele momento, Ekin não podia ter certeza sobre quem realmente era o homem por debaixo da carapaça azul metálica. O estranho soldado estava muito bem protegido por uma armadura, mas Ekin era um cavaleiro mágico, de força descomunal, portanto manteve a coragem inabalável. O viking manteve a espada em posição de ataque e perguntou, com a voz firme e autoritária:

- Quem é você?

O cavaleiro azul parou de caminhar, e imóvel, começou a acenar a cabeça negativamente e num tom relativamente amistoso, proferiu palavras estranhas, incompreensíveis para Ekin. Por achar aquela voz familiar, os olhos de Ekin encheram-se de lágrimas. O bárbaro começou a acreditar que o cavaleiro estivesse falando em sueco antigo, a língua de Frystborg, sua terra natal. Ekin lembrou-se que poderia não mais reconhecer sua língua original, uma vez que elfos o desabilitaram de falar sua língua antiga e lhe obrigaram a falar somente na nova língua ozin.

O coração de Ekin encheu-se de esperança. Por outro lado, Ekin também sabia que poderia estar sendo enganado. Muitas vezes Eive disse que em Ozen, terra repleta de magia, nada é o que parece ser. Em momento algum, o bárbaro baixou a espada.

Percebendo que não estava sendo compreendido, o cavaleiro azul não se moveu. Em seguida, estende o braço metálico e movimenta os dedos, como se chamasse por Ekin, fazendo sinal para que Ekin se aproximasse e o acompanhasse.

O coração de Ekin estava mais confuso do que jamais esteve. Ansiava por jogar-se nos braços do cavaleiro, mas temia o que poderia acontecer se cedesse à sua fraqueza. Sem sair do lugar, Ekin fez gestos para que o cavaleiro azul compreendesse: fez sinal para que o mesmo tirasse o elmo que cobria sua cabeça. Queria ver o rosto da pessoa com quem falava.

O cavaleiro fez sinal negativo com a cabeça. Ekin levantou a espada, tomou posição de ataque. E mais uma vez sinalizou que só continuaria a conversar se o cavaleiro tirasse o elmo. O cavaleiro abaixou a cabeça, suspirou tristemente, abriu as fivelas que prendiam o elmo à sua armadura e tirou a máscara que escondia seu rosto.

Quando o elmo saiu da cabeça do cavaleiro, Ekin ficou pálido de medo. Estava vendo à si mesmo. O cavaleiro azul era uma cópia de Ekin.



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