Epísódio VII

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A RECLUSÃO DOS ELFOS

kin sentia-se traído por Eive. Aquele sentimento, aquela certa dor, lhe incomodava muito. Mas não compreendia bem que espécie de sentimento poderia ser aquele. Passara toda a sua vida a aprender como ser um grande guerreiro, casar e ter filhos.
Como seria possível ter um sentimento de posse sobre outro homem daquela maneira? Sentira aquilo por Ian, seu mestre, e agora também pelo Príncipe daquela ilhota maluca. Ekin acreditou que Afles não tinha o direito de ser o primeiro a possuir Eive. O bárbaro sentia que Eive lhe devia algo, que Eive lhe devia sexo. Nosso jovem escandinavo estava irritado e confuso. Retirou-se do quarto do Príncipe, onde vira a cena de sexo, e seguiu rumo ao seu quarto, trancando a porta.

Eive tinha uma razão para servir sexualmente a Afles, para ser dominado e penetrado daquela maneira, mas ainda não poderia revelar qual era essa razão. Mas não previu que o jovem forasteiro reagiria daquela forma. Eive sentiu que havia algo errado com Ekin, levantou-se e queria explicar ao viking seus motivos, amenizar as dores que provavelmente fazia o jovem sentir. Mas foi retido por Daxat, o velho mago.

- Vossa alteza precisa conter-se agora, o que tenho a lhe falar é mais importante do que ciúmes entre machos de ego arranhado.

Contrariado, Eive suspira fundo, irritado, mas dá ouvidos ao ancião.

- Qual o problema agora, Daxat?
- Os Elfos. Estão fracos demais. Glaxus e Henry aboliram e proibiram todos os rituais de invocação e fortalecimento, em nome da nova fé cristã. Por isso, os seres mágicos estão fracos demais pra proteger e aquecer a ilha de Ozen das intempéries do clima europeu. Os Elfos utilizaram o resto de suas forças na criação dos Cinco Guerreiros, que agora são sua última esperança de sobrevivência.
- Então não poderão mais aquecer a Ilha de Ozen?
- Não. Sabes que nossa ilha é localizada muito ao norte da Inglaterra. E a magia dos Elfos nos dava um clima ameno, quase tropical. Mas, com a diminuição drástica de seus poderes, estamos condenados a fazer esta guerra num clima muito mais frio e hostil do que estávamos habituados. As fortes tempestades que ocorriam no mar, nos protegendo da invasão de outros barcos, agora se dirigem à nossa ilha, e varrerão o calor que ainda existe em Ozen.
- E o que podemos fazer, mago?
- Avisar nossos exércitos, e nos preparar. Pois esta guerra será muito mais difícil do que prevíamos...

Eive olhou para trás, e viu Afles, ainda se recompondo de sua fenomenal gozada com um sorriso bobo na cara. E ordenou:

- Afles, já sabe o que fazer! Reúna os soldados e me encontre no saguão do exército!
Eive voltou-se para o mago e sentindo uma nítida dúvida do que fazer primeiro, falou:
- Daxat...
- Agora que está mais bem preparado para enfrentar nosso destino, saberás o que fazer com o forasteiro.

E Eive segue para o quarto de Ekin com seus passos duros e firmes, como quem não deve satisfação alguma, mas falará por ser necessário. Pretende dar uma lição ao viking para não ser tão infantil, nem se sentir no direito de comandar a vida sexual do futuro rei de Ozen. Tenta abrir a porta, mas percebe que a mesma está trancada.
- Ekin, abra esta porta, agora!

Ekin pensa consigo:
“Ora bolas, quem este palhaço pensa que é? Só porque eu resolvi fazer o favor de ajudá-lo nesta guerra imbecil, isso não lhe dá o direito de mandar em mim, eu não sou um de seus súditos retardados!”

Ekin abre a porta, furioso, como quem vai esmurrar o príncipe.
O príncipe entra nervoso, e com sua força e seus músculos fenomenais, joga Ekin sobre a cama, quase a quebrando.
- Já que o que quer é meu corpo, forasteiro, você o terá! Mas, aviso! Não pense que sou propriedade sua! Tenho um povo a zelar e não posso ficar atendendo a caprichos de forasteiros conforme sua bel-vontade!

...

Fora dali, correndo sobre o cavalo, atravessando a Floresta Morta numa velocidade que nunca experimentara, Eliant, esposa de Afles, segue rumo ao castelo de Glaxus, disposta a se vingar e acabar com os planos do príncipe Eive. Seu caminho era iluminado pela lua cheia.

A lua sempre brilhou em Ozen, fosse verão ou inverno. A ilha nunca vira neve ou temperaturas abaixo de zero. Chuvas aconteciam somente de madrugada, mas nunca causaram enchentes.
Mas este clima de paraíso estava com os dias contados com o enfraquecimento e reclusão dos Elfos.

Eliant estava cega demais para enxergar que uma grande nuvem de tempestade estava se aproximando, trazendo consigo, chuvas, raios e ventos nunca antes vistos em Ozen.



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