Episódio XIII
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s últimos soldados fiéis a Glaxus avistam alguém se aproximar do castelo.E não era Glaxus.Seguindo as instruções deixadas pelo seu rei, os soldados iniciam a queima do castelo, ateando fogo a pontos estratégicos.Em seguida, estes mesmos soldados fogem em direção ao norte.Estes soldados fugitivos pretendem alcançar o castelo do Rei Henry o quanto antes, para que o mesmo saiba que seu irmão está derrotado e possa planejar sua vingança contra o herdeiro do trono do castelo Gni.Os demais soldados fiéis a Eive ainda estavam longe.O príncipe tem somente duas escolhas: ou persegue os fugitivos ou organiza o salvamento do castelo.E salvar seu povo ainda é prioridade.
Por sorte, muitos homens saudáveis dos vilarejos próximos, percebendo que os soldados de Glaxus abandonaram o castelo, vieram e ajudaram a libertar muitos outros que estavam trancafiados nos calabouços do castelo, salvando muitas vidas.Mas aos poucos, o fogo crescia.
Os homens se reuniram, e mesmo os que estavam com gripe e febre muito alta ajudaram, todos se empenharam em levantar baldes de água para apagar as chamas.Muitas partes do castelo foram salvas rapidamente.Ainda assim, em alguns pontos mais altos do castelo, era muito difícil alcançar o fogo para apagá-lo.Mas uma espécie de milagre aconteceu.
Incontáveis flechas começaram a cruzar o céu, atingindo as partes mais altas do castelo.
Estas flechas ao entrar em contato com o fogo, desmanchavam-se em água, apagando as chamas.E muito antes do que se podia prever, o castelo Gni estava salvo.
Muitas partes foram destruídas, mas toda a população sobreviveu praticamente ilesa.
A população não acreditava no que seus olhos viam.Todos estavam muito felizes por ver que seu príncipe estava vivo e que não os abandonara.Gritos de felicidade saudavam o retorno do futuro rei.
Em poucos minutos, todos os demais soldados que ajudaram na batalha do vale, liderados por Afles e Norax, os outros dois guerreiros mágicos, também chegaram ao castelo.
Em poucas horas, apesar de toda a dificuldade vivida, o povo do castelo Gni entrava num clima de festa.
...
Todos começaram a beber e festejar. E aquela comemoração provavelmente duraria dias.
Logo no dia seguinte, o príncipe seria coroado e se tornaria finalmente, Rei dos ozins.Ekin estava feliz por Eive.Mas durante a festa de comemoração da vitória, entre um cálice e outro de vinho, os olhos do bárbaro voltavam-se na direção da floresta.No meio da noite, ele se aproximou da janela e ficou observando o nada.Daxat, o velho mago, aproxima-se do jovem guerreiro, e lhe pergunta:
- Algum problema forasteiro?
O viking abaixa a cabeça, e prefere não responder.
- Venha rapaz, levá-lo-ei ao seu quarto. – Disse Daxat.
No caminho, o velho continuou a dizer:
- Sabe jovem... Todos nós temos nossos sonhos e esperanças. No nosso egoísmo, desejamos que estes sonhos se realizem, pois temos a certeza que eles são o melhor para nós.
- E não são? – Perguntou secamente Ekin.
- Nem sempre. Realizar sonhos envolve escolhas. E para que determinado sonho se realize, podemos perder algo que nos é muito importante. E o pior é descobrir, somente quando se perdeu algo muito importante, que este sonho não trouxe a felicidade. Pois nada traz a felicidade eterna.
- Por que me diz isto, velho? – Pergunta Ekin, ainda revolto.
- Sinto que perdeu algo lá fora que gostaria de reaver... Estou certo?
- Está. – responde cabisbaixo o bárbaro.
- Quer abandonar Ozen? Quer voltar ao seu país?
- Eu gosto daqui. E gosto do modo como vocês agem, como vocês amam. Mas sinto falta de uma pessoa.
- Uma moça? – Perguntou o mago.
O bárbaro avermelhou, abaixou a cabeça, irritado, e disse:
- Não.
- Eu entendo. Apenas me responda com toda sinceridade: sabe se este rapaz é mesmo o rapaz que gostaria de rever?
- Não.
- E se for este mesmo o rapaz, será que ele gostaria de vê-lo? Ele deu-lhe sinais de que um dia sentiria sua falta?
Ekin suspirou fundo e com a voz fraca, respondeu:
- Eu não sei.
- Pois bem, rapaz. Apenas pense se vale a pena abandonar um amor certo, ainda que não seja o que sempre acalentou durante toda sua infância, por uma dúvida, uma pessoa que você nem sabe se quer realmente lhe ver...
Ekin entra no quarto indicado pelo mago.
- Sabe rapaz. Ainda que tudo lhe dê certo. – Continua Daxat. - Que seja este seu rapaz, e que ele espere ansiosamente por você... O que faria? Voltaria com ele ao seu país e lá, proibidos de se amar, passariam a vida escondidos?
Ekin deita-se, enfia a cabeça na cama e não prossegue a conversa.O mago retira-se e em lágrimas, o viking dorme.Naquela noite, ninguém deixava Eive a sós de tanto paparica-lo.Homens e mulheres o adoravam e teciam elogios à sua força e garra.Mas o príncipe sentia falta do seu amigo favorito.
Perguntou a Daxat onde Ekin estava.O mago respondeu que era melhor deixar o viking esfriar a cabeça, e procurá-lo pela manhã.Assim Eive o fez. Foi para seus novos aposentos reais e decidiu encontrar-se com o bárbaro depois.
...
No outro dia, logo cedo, Eive correu para o quarto de Ekin, feliz da vida.Quem sabe fosse o início de uma história completamente nova?Chegando lá, encontra apenas Daxat, que lhe entrega um bilhete.
“Amigo Eive.
Gosto muito de você. Mas sinto que preciso tentar encontrar Ian... Vê-lo nem que seja pela última vez. Sabes que lhe admiro e que lhe terei gratidão eterna por ter me salvo a vida. Sempre poderá contar comigo. Mas neste exato momento é preciso encarar meu destino.
Com carinho,
Ekin.”
Eive nada fala. E nem deixa seu rosto demonstrar emoções. Somente uma lágrima solitária desce pelo seu rosto.






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